Ecologia e conservação do boto-cinza com foco no turismo de observação

Há quase 20 anos o biólogo Fernando Oliveira Silva observa e estuda os botos que vivem no Lagamar dedicando especial atenção as suas relações com os pescadores caiçaras tradicionais. Essa intensa e interessante experiência estimulou-o a criar em 1997 um dos primeiros cursos práticos direcionados ao estudo de cetáceos em ambiente natural no Brasil.

Baseado nessas ricas experiências agora decidiu propor uma ramificação e extensão dessa atividade visando a valorizar não somente esse conhecimento científico adquirido ao longo dos anos, mas também aquele nativo presente no saber-fazer das comunidades tradicionais caiçaras, os quais mantém interessantes relações com os botos-cinza na região e por isso conhecem-nos sob um outro prisma. Para tanto, focou esse novo curso no turismo de observação por ser essa uma atividade econômica e profissional que cresce anualmente em muitos países e que pode ser o grande trunfo na luta pela conservação de cetáceos em todo o mundo gerando emprego e renda para moradores de comunidades tradicionais.

OBJETIVO

Observar, analisar e discutir o modo de vida do boto-cinza (Sotaliaguianensis) com foco no seu comportamento (alimentação, comunicação, interações, entre outros) e nas atividades relacionadas ao turismo de observação de forma que o educando compreenda a importância ecológica da espécie e aplique os novos conhecimentos em estudos voltados a conservação da espécie e/ou em programas de geração de renda para as comunidades tradicionais.

PROGRAMA / CRONOGRAMA

08/04/16

Chegada e hospedagem na Pousada Villa de Cananea (a partir das 12h00)

21h00 - Boas vindas e bate-papo sobre informes gerais

09/04/16

8h00 – Café da manhã

9h00 – Aula teórica: ecologia e conservação do boto-cinza; estudos sobre a espécie no Brasil; métodos e técnicas de pesquisa (comportamento, bioacústica, identificação individual e etnoecologia); turismo de observação; preparação para a saída de campo.

12h00 – Almoço (restaurante local)

14h00 – Embarque (Escuna Lagamar I) Atividades: embarque para observação do boto-cinza em ambiente natural (coleta de dados e identificação dos principais padrões comportamentais e interações interespecíficas observados: caça e alimentação, deslocamento, brincadeiras, interação com pescadores e outros animais, entre outros)*; Demonstração dos procedimentos adotados em programas de turismo de observação de cetáceos no Brasil.

17h00 – Retorno para Cananeia

20h00 – Jantar

Noite livre

10/04/116

07h30 – Alvorada e café da manhã (pousada)

09h00 – Observação das interações comportamentais e da despesca de cerco-fixo (armadilha caiçara de pesca artesanal)

11h00 – Desembarque na Ilha do Cardoso (depende das condições climáticas e da presença dos animais no local)

12h00 – Almoço caiçara (Comunidade Caiçara do Itacuruça – Ilha do Cardoso)

* A variação de atividades comportamentais observada dependerá diretamente de fatores não controlados, a saber: condições climáticas, marés, presença/ausência de cardumes (presas), entre outros.

ÁREA DE ESTUDO

O complexo estuarino-lagunar de Cananeia encontra-se inserido na “Área de Proteção Ambiental Cananeia-Iguape-Peruíbe (APA-CIP)”, uma Unidade de Conservação que visa a compatibilizar as atividades humanas com o uso sustentável do ambiente. Está localizada no litoral Sul do Estado de São Paulo, na região do Vale do Ribeira, que abriga a maior porção contínua e mais preservada de Mata Atlântica que ainda resta no Brasil.

A região tem como eixo as cidades históricas de Iguape e Cananeia, no Estado de São Paulo, e Guaraqueçaba, no Estado do Paraná, com importância e significado em escala mundial, tendo sido reconhecido pela Unesco (Órgão da ONU para a Educação, Ciência e Cultura) como parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica visando a contribuir de forma eficaz para o estabelecimento de uma relação harmônica entre as sociedades humanas e o ambiente na área da Mata Atlântica.

A região integra a lista mundial de Sítios do Patrimônio Natural da Humanidade, onde recebe o nome de Reservas de Mata Atlântica do Sudeste e a qual reúnem, nos estados de Paraná e São Paulo, alguns dos melhores e maiores exemplos de Mata Atlântica no Brasil. Mais recentemente, discute-se sua inserção na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional (Convenção de Ramsar).

 

Vagas: grupos formados por no mínimo 5 (cinco) alunos. Se esse número não for atingido, o curso será remarcado e você poderá optar por ter seu dinheiro de volta ou participar do curso na nova data.

   Custos e inscrição: o valor de investimento para pagamento via deposito bancário é de R$463,00. Se essa for a sua opções mande um email para cursos@bioaustral.eco.br para se informar como proceder. É possível também pagar o curso parcelado no cartão de crédito. Se essa for a sua opção, clique no botão do Pagseguro. Lembrando que nessa opção as parcelas são acrecidas das taxas da operadora do cartão. O BioAustral não tem fins lucrativos, e assim todo dinheiro arrecadado é usado para cobrir os custos do curso, com gastos operacionais e para pagar um valor justo para os ministrantes.

A lotação do curso é de 40 alunos, e existem descontos progressivos para turmas grandes, a partir de 14 alunos. O BioAustral não tem fins lucrativos, e assim todo dinheiro arrecadado é usado para cobrir os custos do curso, com gastos operacionais e para pagar um valor justo para os ministrantes.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:

FILLA, G. F. 2008. Monitoramento das interações entre o boto-cinza, Sotalia guianensis (van Bénéden, 1864), e atividades de turismo no Complexo Estuarino-Lagunar de Cananéia, litoral sul do Estado de São Paulo. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brazil, 159p. (Acesse em http://migre.me/criar-url/)

FILLA, G. F. & MONTEIRO-FILHO, E. L. A. O desenvolvimento do turismo náutico e a sua ligação com a observação do boto-Cinza (Sotalia guianensis) na região de Cananéia, litoral Sul do Estado de São Paulo. Turismo em Análise, v.20, n.2, agosto 2009. (Acesse em http://migre.me/te9Z7)

FILLA, G. F. et. al. Proposal for creation of a “zoning with regulation of use in the Cananéia estuarine-lagoon complex” aiming the conservation of the estuarine dolphin, Sotalia guianensis (van Bénéden) (Cetacea, Delphinidae). Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2008) 3(1): 75-83 (Acesse em http://migre.me/teaer)

MONTEIRO-FILHO, E. L. A.; OLIVEIRA, F. ; LODI, L. . Interações interespecíficas. In: Emygdio L. A. Monteiro-Filho, Karin D. K. A. Monteiro. (Org.). Biologia, Ecologia e Conservação do Boto-cinza. 1ed.São Paulo: Páginas & Letras Editora e Gráfica, 2008, v. 1000, p. 103-117.

SILVA, F. O. & MONTEIRO-FILHO, E. L. A. Relação entre pescadores e botos na região de Cananéia: olhar e percepção caiçara. In

: DIEGUES, A. C. S. (Ed.). Enciclopédia caiçara. Festas, lendas e mitos caiçaras. São Paulo: Hucitec, 2006. p. 253-270.

SILVA, F. O. Conhecimento tradicional e etnoconservação de cetáceos em comunidades caiçaras do município de Cananéia, litoral sul de São Paulo. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Piracicaba, 112p. (Acesse em http://migre.me/te9Xz)