Biodiversidade: identificar para proteger

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por Talita Sampaio – talita[at]bioaustral.eco.br

JPNR_20120202_6-71.jpgMuitos de nós já se perguntou pelo menos alguma vez na vida: quantas espécies existem no mundo?

Apesar de ser uma pergunta simples, sua resposta é bastante complicada. Isto porque se começarmos a pensar que existem diversas espécies vivendo cada canto do planeta, nas florestas, campos, no oceano, na copa de uma árvore, até mesmo em cada uma de suas folhas, percebemos que a biodiversidade é um tema vasto, sendo uma das questões fundamentais da ciência.

Muitos ecólogos já se empenharam na tentativa de responder a essa questão. A estimativa mais aceita atualmente, baseada na opinião de taxonomistas renomados, é de que existam de 3 a 100 milhões de espécies no planeta [1]. Não é difícil perceber que é uma faixa muito ampla de possibilidades. Isto ocorre porque existem diversas limitações para o cálculo dessas estimativas; por exemplo, é comum elas serem baseadas em poucos grupos taxonômicos (geralmente os mais bem descritos). Além disso, deve-se considerar o fato de que nem todas as espécies do mundo já foram sido descritas pela ciência, ou porque são naturalmente raras onde ocorrem, ou têm distribuição geográfica muito restrita [2].

Do mesmo modo que existem apenas estimativas sobre o número de espécies no planeta, a extinção de espécies também tem estimativas bastante variáveis, mas que têm causado muito mais preocupação, justamente pelo fato de não conhecermos todas as espécies existentes [3]. O levantamento mais recente feito pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) mostrou que das mais de 70 mil espécies relacionadas, 860 foram consideradas
extintas [4]. A principal causa para a extinção dessas espécies é o efeito predatório das ações humanas sobre os ambientes naturais, convertendo grandes áreas naturais para agricultura e pecuária, extraindo minérios do solo, fragmentando áreas naturais para construção de estradas, exploração massiva de recursos biológicos, entre muitas outras coisas [5]. Sim, é desanimador saber que a espécie humana causou tamanho estrago para as espécies. Um Pavel 2alento para isso é saber que a preservação de espécies em áreas protegidas ajudou a reduzir as taxas atuais de extinção: os números de espécies de aves, mamíferos e anfíbios extintos teriam sido 20% maiores se não fossem o esforço de criação e fortalecimento das áreas protegidas [6].

Diante de toda a preocupação causada pelas altas taxas de extinção de espécies, um novo cenário tem se desenhado no campo da pesquisa em ciências biológicas. Os cientistas têm voltado seus esforços para melhorar a acurácia das estimativas de riqueza em espécies, ao mesmo tempo em que criam oportunidades para a conservação de mais espécies. Por exemplo, de uns anos para cá, aumentou consideravelmente a quantidade de repositórios contendo dados com livre acesso sobre espécies [3]. Existe também um maior esforço para que mais pessoas aprendam a identificar espécies nos diversos táxons: só no Brasil, temos diversos guias de identificação de espécies para plantas, aves, répteis, anfíbios e mamíferos, normalmente chamando a atenção para espécies ameaçadas. Além disso, os métodos de análise estatística estão mais poderosos [3], e existe uma tendência de que os cientistas usem essas análises de forma a tornar seus resultados comparáveis com resultados obtidos por outros pesquisadores.

Diante disto tudo, não podemos nos deixar levar pelo desânimo, e simplesmente desistir da conservação de espécies e dos ambientes em que elas vivem. De fato, levar a vida tendo a conservação em mente é quase como “nadar contra a corrente”, visto que muitas das ações atuais dos nossos tomadores de decisão vão no sentido contrário ao do cuidado com a Natureza. Por isso, todo esforço no sentido da conservação de espécies é válido, devendo ser estimulado.

 

 

 

Literatura Consultada:

[1] C. Mora et al. 2011. How Many Species Are There on Earth and in the Ocean? PLoS Biology 9:1-9.

[2] M.J. Costello et al. 2013. Can we name earth’s species before they go extinct? Science 339: 413-416.

[3] S.L. Pimm et al. 2014. The biodiversity of species and their rates of extinction, distribution, and protection. Science 344:987-997.

[4] International Union for the Conservation of Nature. 2014. Disponível em http://www.iucnredlist.org

[5] Salafsky et al. 2008. A Standard Lexicon for Biodiversity Conservation: Unified Classifications of Threats and Actions. Conservation Biology 22:897-911.

[6] M. Hoffmann et al. 2010. The impact of conservation on the status of the world’s vertebrates. Science 330:1503-1509.

Projeto Restinga: Oficina de Reflorestamento

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Nos dias 2 e 3 de maio acontece a oficina de Reflorestamento oferecida pelo Projeto Restinga.

A oficina ministrada pelos biólogos Paulo André Tavares e Vitor Hugo Fonseca trata sobre a importância da recomposição da vegetação e discute técnicas de reflorestamento.

Tal como muitas outras atividades do Projeto Restinga, esta oficina é gratuita e aberta a todos os interessados!

Programação: Dia 2 de maio das 14h as 17h e  dia 3 de maio das 9h as 14h

O BioAustral fica na Rua Francisco Chaves na altura do número 300, em frente ao estacionamento da Prefeitura Municipal de Cananeia.

Para saber mais, visite o evento criado em nossa página no Facebook.

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O Projeto Restinga é patrocinado pela Petrobras e pela Pousada Villa de Cananea.

Curso “Fotografia Básica” tem inscrições abertas

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O primeiro curso deste ano está com inscrições abertas no BioAustral.

O objetivo do Curso de Fotografia Básica é fazer com que os participantes aprendam os princípios básicos da fotografia e o uso de câmeras fotográficas digitais. No final do curso, os participantes vão perceber que houve uma mudança de olhar, de perspectiva, e que suas fotos estarão mais informativas e mais bonitas. A parte mais legal é que você não precisa de uma câmera profissional ou semi-profissional para participar.

O curso acontece de 29 a 31 de maio e seu valor inclui hospedagem e refeições.

Para mais informações, acesse nossa página “Cursos” em http://bioaustral.eco.br/cursos/ ou mande um email para talita@bioaustral.eco.br. Entre em contato e participe!

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Sorteio especial de fotografia

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Para comemorar a abertura das inscrições do nosso primeiro curso do ano, o BioAustral está sorteando uma linda fotografia tomada na cidade-sede.

A fotografia de José Pedro N. Ribeiro traz um dos momentos mais emocionantes das visitas a Cananeia: o salto de um boto-cinza no Lagamar!

 

 

 

 

 

 

 

O ganhador do sorteio receberá em casa uma ampliação A3 em fine art dessa foto. O sorteio acontece da nossa página no Facebook.

Para participar, visite esse link, clique em “Quero participar”. Aproveite e curta nossa página para ficar por dentro dos próximos sorteios, eventos e cursos.

 

Oficina de fotografia no Projeto Restinga

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A primeira oficina do Projeto Restinga aconteceu no dia 21 de abril na nova sede do BioAustral.

A Oficina de Fotografia Básica foi ministrada pelo coordenador do projeto, José Pedro Nepomuceno Ribeiro, e teve como objetivo ensinar os primeiros passos da fotografia aos Jovens Reflorestadores do projeto. A oficina faz parte da formação destes jovens, mas foi aberta e gratuita a todos os interessados.

Acompanhe as atividades do Projeto Restinga através do nosso site e da página do BioAustral no Facebook.

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O Projeto Restinga é patrocinado pela Petrobras e pela Pousada Villa de Cananea.

 

Estatística: um problema ou uma solução?

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por Pavel Dodonov (colunista convidado pelo Instituto BioAustral) – pdodonov[at]gmail.com, anotherecoblog.wordpress.com

Pavel 1É praticamente impossível dissociar a pesquisa em ecologia das análises estatísticas, e não seria de todo exagero dizer que o que separara os ecólogos dos estatísticos é um pouco menos de conhecimento teórico e um pouco mais de lama nas nossas botas. Existe uma infinidade de perguntas que pesquisas em ecologia podem responder, com uma ou mais análises apropriadas para responder cada uma delas. Isso tem se tornado cada vez mais evidente, com o grande aumento nas possibilidades de análise para desenhos amostrais cada vez mais complexos, permitindo responder perguntas mais complexas e talvez mais interessantes. Esse aumento se deveu tanto ao aumento no poder computacional quanto aos desenvolvimentos teóricos de cientistas. Pensando nisso, a estatística não deve ser vista como um engodo ou um fardo que seria melhor jogada nas chamas da perdição. A estatística, quando bem aplicada, permite ver com alguma objetividade padrões nos dados que não conseguiríamos ver “a olho nu”. E os números não pensam, não sentem, não almejam por um resultado, nos ajudando, assim, a enxergar o que pode de fato estar acontecendo, e não o que nós gostaríamos que estivesse acontecendo.

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Idealmente o estudo (seja ele experimental ou de observação) deve ser planejado já levando em conta a análise que será usada. Por exemplo, caso o objetivo seja determinar o efeito de um determinado fator ambiental, como umidade do solo, sobre a abundância de um grupo de organismos, o desenho amostral poderia envolver a seleção de um grande número de amostras com variação na umidade do solo, dispostas preferencialmente de forma aleatória, sendo que essa a umidade do solo não deve se confundir com outras características ambientais. Por outro lado, caso o interesse seja na variação espacial na umidade do solo, pode ser mais interessante dispor as amostras de forma regular, para evitar que haja áreas extensas sem amostras.

Do mesmo modo, caso o interesse seja em determinar quais fatores ambientais estão influenciando a abundância do organismo em questão, será necessário fazer um balanço entre número de fatores ambientais medidos e o tamanho amostral – embora um tamanho amostral maior é sempre melhor, somos sempre limitados por tempo e recursos, e não podemos amostrar o mundo todo!

Assim, é importante ter um entendimento geral das análises estatísticas que nos estão disponíveis, o que elas fazem, como os dados precisam ser coletados e quais perguntas podem ser respondidas por eles. Mas ter este entendimento não é tão difícil nem tão assustador quanto parece! Afinal, nós, ecólogas e ecólogos, não precisamos entender todos os fundamentos teóricos e detalhes de todos os testes. Nos basta entender o suficiente para determinar os testes que podem ser usados para responder a nossa pergunta. Feito isso, podemos nos aprofundar neles e, procurar softwares específicos. E sem esquecer que nenhuma análise salva um estudo mal planejado ou uma pergunta que não faz sentido!

 

Leituras recomendadas:

https://marcoarmello.wordpress.com/2012/05/17/estatistica/

https://marcoarmello.wordpress.com/2012/04/25/perigos/

https://anotherecoblog.wordpress.com/2013/02/16/como_pedir_ajuda_em_estatistica/

https://dynamicecology.wordpress.com/2012/09/11/statistical-machismo/

Início das coletas do Projeto Cadeia Produtiva

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As atividades de coleta do Projeto Cadeia Produtiva já estão acontecendo!

No início de abril, iniciamos a coleta das flores de macela usando diferentes porcentagens de extração para descobrir qual a melhor forma de coletar essa espécie. Fizemos também a primeira leitura da fenologia da pimenta-rosa, o que significa acompanhar a porcentagem de produção de botões, flores e frutos por essa espécie. Isso é importante para poder prever a quantidade de frutos produzidos pelas árvores. Além disso, mapeamos os primeiros indivíduos de baunilha nativa. A baunilha produz flores com uma fragrância muito especial, mas ainda não sabemos muito sobre ela! As plantas ainda não estavam com flores, mas agora que sabemos onde encontrá-las, vamos poder acompanhar sua fenologia até florirem e frutificarem.

O Projeto Cadeia Produtiva quer saber mais sobre essas e outra plantas de interesse alimentar e econômico para então trabalhar com grupos de coletores locais, fortalecendo sua produção e possibilitando a geração de renda para essas pessoas. Para saber mais, visite a página do Projeto Cadeia Produtiva ou curta a página do BioAustral no Facebook.

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O Projeto Cadeia Produtiva é patrocinado pela Prefeitura Municipal de Ilha Comprida.

Projeto Restinga: Está finalizada a seleção de jovens reflorestadores

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Está finalizada a seleção dos Jovens Reflorestadores para o Projeto Restinga.  As fichas de inscrição foram entregues a todos os alunos interessados do segundo ano do Ensino Médio, em três escolas estaduais do município de Cananéia. A seleção foi realizada pela equipe do Projeto com ajuda de outros membros do BioAustral. Os sete jovens selecionados e seus responsáveis foram convidados a participar de uma reunião como coordenador do Projeto Restinga, José Pedro Nepomuceno Ribeiro, para serem informados sobre as atividades do projeto e para assinarem o contrato de participação.

O Projeto Restinga vai capacitar os Jovens Reflorestadores a atuar na recuperação de uma área de restinga dentro da cidade de Cananeia. Os jovens participarão de cursos e oficinas sobre ecologia, fotografia e mídias digitais. Além de atuarem no reflorestamento, os jovens também serão treinados a divulgar suas atividades através de um site criado por eles. Para saber mais sobre o projeto, visite a página do Projeto Restinga.

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O Projeto Restinga é patrocinado pela Petrobras e pela Pousada Villa de Cananea.

 

Projeto Bom Abrigo: diagnóstico ambiental

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O Projeto Bom Abrigo continua a todo vapor! Pesquisadores do BioAustral e da UNESP – Registro foram a campo para inventariar espécies de

plantas e peixes, além de realizarem o mapeamento da erosão mais importante da Ilha do Bom Abrigo. A caracterização ambiental da Ilha é importante para que possamos propor formas de uso sustentável de seus recursos turísticos. Segundo a avaliação dos pesquisadores, há indício de que a maior erosão existente na Ilha tenha sido agravada pelo uso desordenado da trilha do Farol, associado às características estruturais do solo e à declividade do terreno. Isso reforça a importância dos estudos para implantação de estruturas e ordenamento de uso das trilhas da Ilha do Bom Abrigo, considerando que se trata de uma área de relevante interesse ambiental e histórico.

A boa notícia é que as áreas erodidas apresentam potencial para regeneração. O levantamento das espécies de plantas mostrou que existem espécies fixadoras de solo, interessantes para serem usadas na contenção das erosões. Além disso, foram encontradas muitas espécies de árvores frutíferas, que contribuem consideravelmente para a regeneração natural, atraindo aves que se alimentam de seus frutos e com elas, sementes de outras frutíferas.

Para saber mais, visite a página do Projeto Bom Abrigo e curta nossa página no Facebook.

Erosão na Trilha do Farol

Erosão na Trilha do Farol.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Projeto Bom Abrigo é patrocinado pelo Instituto Linha D’Água.

 

Projeto Trilhas: Mapeamento das trilhas e conhecimento de seus usos

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O Projeto Trilhas continua com suas atividades!

Na última semana, nossos pesquisadores foram a campo no município de Ilha Comprida-SP divididos em duas frentes: um grupo mapeou as trilhas do Boqueirão Sul, de Pedrinhas, de Juruvaúva, e do Boqueirão Norte, e a outra frente entrevistou turistas para saber se conhecem e como utilizam essas trilhas. O objetivo desta pesquisa é elaborar um diagnóstico de uso das trilhas, agrupando atividades similares nas mesmas áreas e promovendo conservação ambiental de áreas ameaçadas.

Para saber mais, visite a página do Projeto Trilhas e curta a página do BioAustral no Facebook.

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Pesquisadores do BioAustral realizam a caracterização de trilhas na Ilha Comprida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Projeto Trilhas é financiado pela Prefeitura Municipal de Ilha Comprida.